crítica: Guerreiro (Warrior)
O que exatamente define alguém como um lutador...um guerreiro?
Não estamos todos vivenciando nossos respectivos conflitos pessoais?
Aonde se encaixa então no imaginário coletivo a figura desse combatente implacável...?
Seria o herói cujos grandiosos atos de coragem o situam como um bastião de moral e admiração?
Ou seria aquele homem comum, o pai de família que a despeito de todas as limitações está determinado a se impor contra inimigos superiores e diante de situações que todos alegam escapar ao seu alcance?
Ou seria ainda, o vilão arrependido, vítima da tragédia de seus próprios atos em sua jornada diária buscando uma redenção que talvez nunca encontre?
A história é centrada na reaproximação de uma família de lutadores quando um torneio de MMA é anunciado garantindo o inédito prêmio de 5milhões de dólares ao vencedor. Em um primeiro momento, o filme nos apresenta a figura de um velho religioso, bastante devoto, alheio a bebidas e amistoso ao reencontrar um antigo conhecido que, por sua vez, irá desconstruir toda essa imagem inicial ao se revelar como o filho desse idoso ex-alcoólatra cujo passado é marcado por negligenciar suas responsabilidades com a própria família. O reencontro serve para restabelecer a vitoriosa relação entre treinador e aluno, mas não entre pai e filho - como este último insiste em deixar bem claro.
Paralelamente, é introduzido o outro filho Brendam que possui seu próprio núcleo familiar no interior do qual, parece não faltar amor, leveza e alegria, embora nos bastidores acentuem-se os problemas financeiros. É justamente os desdobramentos dessa questão que o levará de volta aos ringues que havia abandonado, naturalmente colocando-o em rota de colisão com o irmão. A relação entre ambos também é problemática, pois no passado enquanto Tommy optou por fugir com a mãe e teve que vê-la adoecer e morrer sob seus cuidados, Brendam decidiu se manter junto a namorada da época - hoje sua esposa com quem tem 2 filhas.
Em comum, os irmãos possuem o desprezo pelo pai, embora Brendam se resuma a chamá-lo de 'apenas um velhinho simpatico' para as filhas sem revelar que estão diante do avó antes de despachá-lo. Já Tommy não possui ninguém próximo restando apenas um vazio preenchido pelo rancor acumulado ao longo dos anos. Ele ironiza a atual sobriedade do pai, desdenha de qualquer tentativa de intimidade e o faz usando as palavras mais duras possíveis. Essa sufocante convivência entre os 2, sempre desprovida de brechas para reconciliações e reparações atinge seu ponto máximo de tensão durante uma conversa num cassino, cuja resolução compõe a melhor e mais sincera cena de todo o longa.
Evidentemente as lutas em si, são ao mesmo tempo extensão e metáfora de toda essa miríade de agressões e conflitos familiares, cujo clímax é justamente o embate direto entre os Conlon na final do torneio - uma obviedade que o próprio trailer não faz questão de esconder. É justamente essa previsibilidade e o excesso de clichês mantidos para sustentar a história o grande problema. Há toda uma sequência de coincidências para ambos os irmãos entrarem dentro do seleto torneio. Além disso, não basta o pai alcoólatra. Não basta a mãe morrer enferma. Tommy se torna um fuzileiro naval. Mas lá também perde um valioso amigo. Tudo bem. Ele adota a família do falecido como merecedora do prêmio caso vença o torneio já que não possui uma pra si, como o irmão. Desnecessário.
Álias, Brendam que carrega desde a infância o estigma de azarão vai ganhando suas lutas com a mesmíssima estratégia, a mesma 'reviravolta'. Com um final tão manjando, a inserção de um antagonista lutador russo, supostamente ameaçador perde muito de seu peso quando é tão fácil nao temer pelos protagonistas. Uma pena, pois caso fosse apostado numa história menos manjada e sem excessos, sobraria mais credibilidade pra essa bela tragédia familiar.
diego bueno



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